quarta-feira, 10 de julho de 2013

Geração Caninha 51 – Uma Má Ideia


Bom, hoje eu tirei um momento de folga e pensei em dar um passeio com minha amada esposa pelo shopping aqui da cidade, para renovar os ares, ver novas pessoas, movimento, planejar o futuro, enfim, espairecer. Uma noite de quarta-feira como qualquer outra, pelo menos até eu chegar ao meu destino.
No momento em que chegamos ao shopping, fomos logo recebidos por um local apinhado de pessoas, transbordante de ideias (pelo menos eu assim pensava). E comecei a perceber que a maioria pujante daquelas pessoas eram adolescentes. Como eu trabalho com adolescentes na igreja local, pensei que seria bastante interessante a experiência de observação do comportamento deles (as), para que pudesse de alguma forma subtrair alguma experiência proveitosa para meu trabalho com esta faixa etária.
Sentei-me e pedi meu expresso, e comecei a degusta-lo com muita alegria, um café que a muito não tomava igual, com um sabor de banho de chuva, um sabor jovial e marcante, alegre. Junto com meu café a conversa com a amada corria solta, mas algumas olhadelas para os “teenagers” ao meu redor desviavam minha atenção da conversa. Até o momento que uma moça da cafeteria cometeu um erro, e a maioria dos adolescentes adjacentes ao local, ao perceber o barulho do erro cometido pela atendente, começaram imediatamente a gritar como um grupo de babuínos enfurecidos. Tamanho foi meu susto que quase meu café visita minha camisa limpa.
Neste episódio, conversei com minha amada e concordamos que esta geração de adolescentes esta tomando um rumo, ao nosso olhar, errado e de proporções preocupantes. Nossos adolescentes estão cada vez mais irreverentes (no mau sentido da palavra), mais superficiais, mais despreocupados com a coletividade e profundamente pensantes de sua individualidade e hedonismo. Adolescentes que não se preocupam mais com seu próprio futuro e bem-estar (pelo menos nesta idade eu me preocupava com o meu futuro), achando que o tempo não passará e ao passar, encaram-se trabalhando como assalariados acomodados com seu pequeno salário mínimo. (Vale aqui ressaltar que não trago indignidade a nenhum emprego, apenas penso que eles deveriam buscar empregos melhores para ter uma vida mais digna, algo cada vez mais difícil neste Brasil). Logo após breve conversa com minha esposa sobre o acontecido, vimos uma senhora correndo e chamando a plenos pulmões para o segurança, pois estava acontecendo uma briga. Materialismo, hedonismo, megalomania, desrespeito, falta de capacidade de se portar em público, falta de educação, inexistência de limites, busca desenfreada pelos próprios anseios. Todas estas questões passaram por minha cabeça em segundos.
Frente a estes acontecimentos surgiram perguntas: Como estes adolescentes ficaram assim? São será frutos de um sistema “capetalista” cada vez mais individualista? Ou nós estamos falhando nos exemplos e na educação destes adolescentes?
Ainda que as perguntas acima tenham inúmeras respostas e opiniões diferentes, resta-nos lutar por esta geração, que apesar de estar caminhando a passos largos para uma má desenvoltura futura, tem um potencial adormecido que deve ser trabalhado para que possam dar bons resultados. E os bons resultados a que me refiro não são financeiros, e sim humanos. Relacionamentos sadios, preocupação com o próximo, empatia por outros que não eles mesmos. Precisamos agir contundentemente e rápido!

Ainda creio nesta geração, ainda creio em um milagre! 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

As Funções Sociais da Sabedoria no Antigo Testamento

Introdução:
            Neste ensaio acadêmico, abordaremos um tema de extrema importância e valorização não somente para o povo de Israel especificamente, mas para todos os povos do Oriente Antigo Próximo, a Sabedoria. A Sabedoria tem longa trajetória no Oriente Antigo, principalmente na sabedoria egípcia e mesopotâmica, a sabedoria bíblica, porém, têm essencialmente produção pós-exílica, deixando claro que seu estudo leva-nos diretamente a uma pesquisa aprofundada na história e cultura do Oriente Antigo. Mas, precisamos buscar entender em que consistia a Sabedoria para aquele povo? Como se dava o processo de construção sapiencial dos conhecimentos dos que eram considerados “sábios”? Qual a “forma”, ou se existe mais de uma, quais as “formas” de sabedorias utilizadas neste período? Será que, de alguma forma, a sabedoria se faz presente através de algum tipo de prática, ou resume-se em frases, sentenças e provérbios escritos, ou ainda, apenas falados, sobre algumas orientações cotidianas? Procuraremos realizar um breve “mergulho” sobre a Sabedoria do Antigo Testamento e suas implicações sociais.

A sabedoria no Antigo Testamento e suas funções sociais
            A reflexão “sábia”, ou a construção do pensamento sapiencial dava-se quase que em sua totalidade pela observação dos acontecimentos cotidianos, familiares ou não, que de alguma forma interferiam na vida ou se faziam vistos pelos “observadores” dos acontecimentos vivenciais. A observação das experiências da vida fazia com que aqueles que observavam com mais cautela passassem a perceber o que deveria ser feito, ou ainda, evitado para que tal atitude ou acontecimento observado voltasse a acontecer ou não. Em algumas ocasiões, essas observações e reflexões sapienciais davam vida a escritos normativos, ou ainda a grupo de leis para “nortear” a vida das pessoas. A reflexão sapiencial tinha e ainda tem de certa forma como base de suas reflexões temas variados, como a família, vida diária, família, trabalho e valores morais e ainda dava resultados como produção de um pensamento familiar, pela necessidade de que as novas gerações tinham que possuir “ferramentas” para enfrentar o mundo que as cercava, buscando assim, através destas, uma forma mais digna e pacífica de sobrevivência e tomada de atitudes frente os acontecimentos cotidianos; conforme podemos ler no texto de Ceresko:
“Há provas, mesmo de épocas bem primitivas, da grande energia que tanto a geração mais antiga dos pais como a nova geração despenderam à medida que a nova geração se equipava com “sabedoria”: o conhecimento e as habilidades necessárias para lidar com a vida no mundo”. (CERESKO. 2004, p. 14)
            Através destas “respostas” às novas gerações, surgem então diversas formas de repassar a experiência vivida pelas gerações anteriores, que deixam estes pensamentos nas mais variada formas, através de provérbios, sentenças, parábolas, etc. Estes conselhos são reflexos dos valores e culturas, seja ela hodierna ou passada.
Ao decorrer desta tentativa de responder aos questionamentos da vida, de descobrir a ordenação de seus ciclos através da ajuda da razão, começaram então a surgir escritos de sabedoria; registros destas descobertas para as questões vitais do ser humano e de seu dia-a-dia. Ao passo que o Pentateuco e os primeiros profetas trazem informações e orientações para a sociedade como uma única parte, os escritos sapienciais trazem recomendações que devem ser praticadas e lidas na unidade de cada indivíduo, ou seja, seria como uma “manual” de considerações práticas para a vida de cada um em especial e suas ações cotidianas. Segundo pesquisadores, a escrita sapiencial e sua “tradição” tiveram maior crescimento e influencia com o surgimento das Escolas de Escribas, chamado assim o treinamento que pessoas, geralmente ligadas à Corte Real, recebiam para que pudessem ler interpretar e reproduzir as Sagradas Escrituras. Suas atividades se davam, geralmente em três áreas específicas, que podemos chamar de Diplomacia e Administração Real, onde estes se correspondiam com monarcas de reinos vizinhos, realizavam o controle de registros contábeis e outras funções administrativas. Em segundo lugar, tinham o papel de “escola” propriamente dito, onde ensinavam e treinavam pessoas como seus sucessores e também governadores de outras províncias, e por terceiro, a produção literária, entrando nesta questão os materiais de formação para o treinamento dos futuros escribas e administradores reais, segundo Ceresko:
“[...] as atividades dessa escola de escribas abrangiam ao menos três áreas. A tarefa mais importante e árdua envolvia a administração cotidiana do reino [...] também desempenhava um importante papel educativo. Além de prepararem outras pessoas para assumir seus lugares na burocracia estatal, eles também treinavam líderes administrativos [...] A produção literária representava para os escribas uma terceira área”...] (CERESKO. 2004, p. 25).
Através do reinado de Salomão apenas que em Israel se introduz a poesia como arte; promovida pelos chamados mestres da sabedoria, que através dos ensinos a exemplo do livro de Provérbios, trata dos pontos positivos e negativos da riqueza e a inexistência desta; as regras da vida que traem bem-estar; etc. Fazendo um paralelo com a Revelação de Deus, a sabedoria é celebrada como uma revelação “horizontal, entre homens que, ao observarem seu cotidiano, as coisas e a realidade que o cerca, descobre verdades e subtrai ordem a partir do caos, como vemos Ziener afirmar:
“Ao lado da palavra profética, revelação que vem do alto, a sabedoria é, para Israel, uma revelação “horizontal”, que, mediante observações da natureza, da história e da vida humana, procura descobrir a vontade de Deus”. (ZIENER. 1987, p. 370).
            Podemos, através destas informações, perceber um pouco da formação do pensamento, ou do refletir sapiencialmente e de que forma iniciou-se a produção literária destes saberes através principalmente dos já citados mestres da sabedoria e das escolas de escribas. Os gêneros literários que mais são utilizados na redação sapiencial são o já citado Mashal, o Provérbio, que pode ser enigmático ou numérico; a sentença, a poesia, a parábola, a fábula e a alegoria. Comecemos então a observar alguns pontos importantes sobre os livros sapienciais bíblicos e um breve panorama sobre cada um deles:

Provérbios:
            O Livro de Provérbios, a princípio, pode causar certa estranheza para uma leitura realizada mais desatentamente, pois podem parecer que o livro é somente uma coletânea de ditos e frases aleatórias, sem uma sequência lógica, ou sem um sentido maior central. Mas, ao analisarmos a etimologia da palavra provérbios, vemos que esta é derivada do termo mashal, que significa, dentre outras propostas de tradução, “comparação”, porém deriva da raiz msl, que significa reger, dominar, convencer. Daí pode-se perceber como dito anteriormente, que provérbios são uma busca através da observação sábia do conteúdo da vida de reger o mundo insano, encontrar a ordem para os acontecimentos da vida. Esta ordem de tentar “reger”, ou ao menos entender o que se passa no mundo e na vida, faz um dos caráteres principais do livro de Provérbios, conforme nos orienta Ceresko:
“[...] essa obra intitulada “Provérbios de Salomão” (mishlê shelomô) representa um prodigioso esforço de reger ou dominar o caos e a confusão da vida cotidiana. Essa tentativa de atribuir ordem e significado aparecem tanto no nível restrito dos provérbios individuais como no nível amplo do livro como um todo”. (CERESKO. 2004, p. 25).
Com relação aos autores de provérbios, o livro deixa-nos bem claro que são vários, sendo três destes mencionados pelos seus próprios nomes: Salomão, Agur e Lemuel. No livro não há datação exata de sua produção ou compilação, o início de sua produção pode ser muito longa desde os primeiros escribas, ao qual já mencionamos até o século II a.C. ainda que não haja certeza de que as citações sobre os nomes sejam diretamente ligados à autoria, compilação ou edição dos provérbios. Segundo alguns autores, podemos perceber que a chamada “data áurea” da sabedoria, ou seja, o momento em que ela teve seu maior reflexo e preponderância foi aproximadamente no século 10 antes de Cristo.
Em sua estrutura, o livro divide-se em: Título e introdução (1.1 - 7); o prólogo (1.8 - 9/18); os primeiros provérbios de Salomão (10.1 – 22.16); as palavras dos sábios (22.17 – 24.22); ditos dos sábios (2424.23 - 24); segunda coletânea de provérbios de Salomão (25.1 – 29.37); palavras de Agur (30.1 - 14); ditos numéricos (30.15 – 33); palavras do rei Lemuel (31.1 – 9) e poema descritivo da mulher ou esposa ideal (31.10 – 31) (CERESKO. 2004, p. 55). Os temas principais tratados no livro são: O temor a Javé; comparações entre o sábio e o tolo; comparações entre o justo e o ímpio; comunicação; o proceder de pais e filhos; o proceder das esposas e mulheres; relação entre trabalho e preguiça; orgulho e humildade; Ira e comparações sobre riqueza e pobreza.
Este livro é um dos mais importantes entre os sapienciais, norteia a sabedoria bíblica com Pr 1.7, o temor do Senhor é o principio da sabedoria, a sabedoria popular está atrelada a vida, mas com este verso ele a amarra a Deus, Ele é a fonte da sabedoria e é necessário temê-lo para ter sabedoria, temos aqui o diferencial da sabedoria israelita, bíblica, para as sabedorias das demais regiões do Oriente Próximo, receberam as influência destas outras regiões e a nacionalizaram atrelando-a a seu Deus nacional.

Eclesiastes:
O livro de Eclesiastes, também conhecido no hebraico como Qohelét, que significa pregador, é motivo de muitos comentários sobre si, ora favoráveis, ora desfavoráveis, por diversos pesquisadores bíblicos. Os favoráveis encontram beleza em sua maneira severa de descrever a vida e seus acontecimentos, sem “rodeios”, por exemplo, não escondendo que onde deveria haver justiça fora encontrado apenas injustiça e opressão. Por outro lado, outros encontram neste livro algo que vai contra a canonicidade bíblica, encaram-no como algo que deveria ter sido excluído da Bíblia, justamente por seu caráter descritivo de certa forma cético, pessimista e a preocupação com a morte que o autor retrata. A linguagem utilizada no livro retrata de maneira contundente que este tenha sido de redação pós-exílica, pois se usam termos persas em sua construção, sendo que alguns biblistas optam pela informação de que este texto de certa forma teve uma produção bastante tardia, conforme Ceresko:
“A linguagem e o aparecimento de algumas palavras persas situam o livro firmemente no período pós-exílico. Alguns comentadores recentes optam pelo início do período helênico, entre 300 e 200 a. C., quando os Ptolomeus do Egito incluíram a Palestina como parte de seu império”. (CERESKO. 2004, p. 101).
            Essa dominação ptolomaica trouxe um momento de extrema dificuldade para o povo de Deus, pois este era amplamente explorado por este governo. Os Ptolomeus deram continuidade no processo de cobrança e exploração financeira que os persas haviam iniciado com o povo de Israel, cobrando altas taxas de impostos do povo da terra. Para dificultar e assim oprimindo ainda mais o povo, o imperador não admitia que este pagamento fosse feito com parte da colheita ou da criação de animais, mas sim em dinheiro, na moeda que circulava nas cidades. Os grupos familiares começaram e desmoronar frente a esta dura realidade monetária, e os valores antes cuidados com tanta veemência estava dando lugar a conceitos muito mais materialistas e de influência do poder. É neste contexto de opressão, que o “pregador” procura um modo de levar a vida com maior dignidade; com mais sabedoria. O livro de Eclesiastes é senão uma resposta a este momento de crise, crise não somente financeira e política, mas fruto desta uma crise religiosa. Afirma que o melhor que o homem pode fazer é se deleitar com o fruto de seu trabalho; pois não consegue compreender e aceitar a fadiga proveniente de um trabalho duro se não se pode ter deste, frutos duradouros.
            Segundo pesquisadores, é achada certa continuidade e unidade no livro de Eclesiastes, com progressão de pensamentos. O livro tem uma estrutura organizada e de fácil compreensão; sendo que pode ser dividido em: os esforços humanos não são capazes de trazer realização pessoal (1.2 – 11); não há proveito em nada, exceto usufruir seu trabalho na presença de Deus (1.12 – 6.9); incapacidade humana de conhecer o sentido da vida senão na sabedoria de Deus (6.10 – 11.6); Exortação a uma vida responsável e submetida aos valores do Reino (11.7 – 12.14). O livro possui pluralidade de temas teológicos, alguns deles como a confirmação de Deus como Criador de todas as coisas; como um Deus pessoal e justo e etc. Vejamos um pouco sobre a sabedoria no livro de Jó.

Sabedoria em Jó:
            Como afirmamos anteriormente, a reflexão, ou a construção do pensamento sapiencial se dava ou se dá em momentos de busca incansável para respostas para as questões cotidianas e enigmas da vida. Sejam questionamentos mais fundamentais ou básicos, as respostas eram e ainda são muito mais buscadas em momentos de profunda transformação; e não há momento de mudança de conceitos e valores maiores do que nas provações e amarguras da vida. Neste papel entra o livro de Jó, que, como a grande maioria, ao passar as suas mazelas, ao sentir suas dores, principalmente ao se tratar de um “justo”, passa a fazer a fatídica pergunta: Por quê? É em busca de uma tentativa de resposta que se acha, por vezes, a sabedoria. O livro de Jó é inserido no cânon judaico ainda que se encontrem escritos extremamente parecidos no Antigo Oriente. Mesmo não possuindo uma menção direta a Aliança como em outros momentos das Escrituras, o vínculo e o relacionamento de Jó e o Deus que ele clama em angústia parecesse muito com os modelos de relacionamentos de outros personagens bíblicos, conforme Ceresko:
“[...] os estudiosos o rotularam como um exemplo de literatura sapiencial – e com justas razões [...] Apesar da ausência de uma terminologia explícita da aliança ou de formas a ela vinculadas, o relacionamento entre Jó e Deus tem paralelos em outros relacionamentos Deus/homem nas Escrituras [...]” (CERESKO. 2004,p. 75).
            A história de Jó ocorre no período pré-mosaico, segundo alguns pesquisadores, devido à falta de menções a Israel como nação, sua atividade como sacerdote perante a sua família e, porém sua redação e registro se dão segundo estudiosos no período exílio/pós-exílio, pois alguns afirmam que o questionamento de Jó é uma figura de linguagem para os questionamentos de todo o povo judeu ante a deportação e destruição de sua nação. Estruturalmente, o livro tenta retratar um “herói” da fé, alguém justo e íntegro que tem sua vida testada por Deus, para que se ache aprovado por este. Jó, por diversas vezes, verifica a realidade que o está cercando, se questiona como pode estar passando por tal crise sendo justo, e procura pela verificação da experiência uma sábia maneira de enfrentar a assoladora situação em que se encontra. O livro parece seguir uma lógica concreta, porém em momentos há umas desconcertantes mudanças de “roteiro”, o que coloca de certa forma em questionamento a unidade do livro. Trata de renovar a questão do justo sofredor, e que este terá sua esperança renovada ao fim de sua provação; o livro pode ser dividido em: A tragédia de Jó (capítulos 1 e 2); seu trauma sobre os acontecimentos terríveis (3.1 – 42.6) a restituição de Jó e de suas perdas (42.7 – 17). Vejamos um pouco sobre o livro de Salmos.
Salmos:
O livro de Salmos, nada mais é do que uma compilação, em suma, dos cânticos compostos e reproduzidos pelo povo, nas mais diversas ocasiões no decurso de sua história. O livro de Salmos, doravante denominado de Saltério, não é um livro inteiramente sapiencial, por possuir salmos dos mais variados gêneros, não somente sobre a “sabedoria” ou em resposta as agruras e necessidades da vida.
            Os Salmos 1; 37; 49; 73; 91; 112; 127; 128; 133 pela particularidade de estarem intimamente ligados ao cotidiano e acontecimentos da vida, entram como literatura sapiencial. O Salmo 1, por exemplo, têm extrema semelhança com provérbios, pois narra de maneira muito clara e objetiva conselhos para o homem que quer ser “feliz” (Bem-aventurado). Em outros livros além do Saltério, podemos encontrar cânticos com a mesma estrutura dos que se encontram em Salmos (Êxodo 15.1 – 19; Deuteronômio 32; 1 Samuel 2.1 – 10; etc.), deixando bastante claro que esta forma de escrita, o registro poético e musical dos acontecimentos eram já parte intrínseca da vida do povo.
Considerações finais:
            Neste ensaio acadêmico pudemos observar que a sabedoria, tema integrante e de extrema importância para a compreensão do pensamento vetero-testamentário, é parte integrante de alguns livros que não são amplamente pesquisados, mas que são de suma importância para o dia-a-dia hodierno, que não se encontra gritantemente longe da realidade que vivemos hoje. As situações se repetem; o mundo continua e rodar seus ciclos, a completar suas voltas cotidianas, e em meio a esse turbilhão de acontecimentos bons e ruins, o sábio busca ordem a partir do caos.
Pudemos perceber um pouco de como se dava o ato de refletir sapiencialmente e de que maneira este ato respaldava a ação sábia; de que forma esta sabedoria era passada de geração em geração e como e por quem eram estas ideias registradas. Como ainda o é hoje, o refletir com sabedoria é o observar da vida , mas não somente observar, e sim atuar como um visionário; não na concepção de vidência da palavra, mas sim aquele que observa a realidade e os acontecimentos ao seu redor e vê o que ninguém mais percebe; entende o ciclo da vida e não obstante e somente perceber encontra a melhor forma de ultrapassar este ciclo de maneira pacífica. Além, vimos um pouco sobre os livros que de alguma forma tratam a sabedoria como tema predominante biblicamente, e que de alguma forma, traziam informações para uma melhor vivência, ou melhor, sobrevivência e que ainda fazem-se conselhos práticos para nossos dias.
A função social da sabedoria, esta intrinsecamente ligada ao seu ser. Em sua maioria a sabedoria é popular, é feita pelo povo, falada pelo povo, trata de assuntos cotidianos do povo. Ao ser o arauto do povo ela manifesta os protestos, as indignações de um povo deseja pelos menos ter o que comer, viver em paz com sua família, livre de tanta opressão. O que vemos em Jó se pensarmos em uma redação mais tardia pós-exílica, é um manifesto, contra a opressão que leva todos os bens, leva os filhos, os perde para a escravidão algo que era comum acontecer, ao perder as posses a família ter que se vender para quitar as dívidas, perder a saúde no trabalho escravo.
A sabedoria deseja educar as gerações, a ter maturidade, emoções equilibradas, proceder correto, ser prudente, relacionamentos saudáveis, para que no que for possível alcançável pelas pessoas marginalizadas tornar a vida um pouco melhor. E está intimamente ligada a Deus. A sabedoria centraliza-se em Deus com o homem, nem mais em um do que o outro, mas na criatura e criador juntos, tem sua maior expressão na vida, vida digna, justa, vivida não sobrevivida como vemos o desanimo de Eclesiastes frente às opressões sociais, Deus criou a vida para que pudéssemos desfrutar dela com sabedoria e alegria, não nos fez para sofrer, é interesse de Deus a vida, a sabedoria mesmo sendo palavra do homem se torna palavra de Deus no momento que deseja mudanças sociais em favor da vida.
Referências Bibliográficas:
PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e desenvolvimento na Antigo Testamento: estruturas e mensagens dos livros do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2006.
SCHREINER, Josef. Palavra e Mensagem. Introdução teológica e crítica aos problemas do AT. Tradução Benôni Lemos.3. ed. São Paulo: Edições Paulinas, 1987.
CAZELLES, Henri. História política de Israel: desde as origens até Alexandre Magno. Tradução Cácio Gomes. 3. ed. São Paulo: Paulus, 2008.
CERESKO, Anthony R.A Sabedoria no Antigo Testamento. Espiritualidade Libertadora. Tradução Adail Ubirajara Sobral; Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Paulus, 2004.
KIDNER, Derek. Provérbios. Introdução e comentário. Tradução Gordon Chown. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1980.
EATON, Michael A.Eclesiastes. Introdução e comentário. Tradução Oswaldo Ramos. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1989.

SELLIN, E. FOHRER, G. Introdução ao Antigo Testamento. Volumes 1 e 2. Tradução D. Mateus Rocha. São Paulo: Academia Cristã; Paulus, 2007

Que Rei Sou Eu?


Bom, Boa Noite a todos(as)!

Bem vindo ao Bolinhos, Problemas e Mozart, meu blog.

Como primeira postagem vou falar um pouco sobre mim mesmo, ainda que não seja uma de minhas melhores aptidões.
Me chamo Vinicius, tenho 26 anos, sou casado a 6 anos com a melhor esposa do mundo (sem demagogia é claro!). Sou estudante de teologia, cursando o terceiro ano na Faculdade Teológica Batista Ana Wolerman. Toco guitarra já há algum tempo, e segundo meus colegas de banda (opiniões que nem sempre podem receber muito crédito por razões óbvias) falam que eu toco bem. Apaixonado por uma série de coisas que para mim são maravilhosas como: década de oitenta, colecionar tudo que estiver ao meu alcance (principalmente livros e HQ’s); histórias, filmes e livros de terror, creepypastas, Chevette, Otis Reeding e obviamente... Bolinhos e Mozart! (Tenho também uma paixão secreta que por enquanto não revelarei hehe – e que obviamente não é outra mulher, já que minha digníssima esposa sabe desta minha paixão!)

Sou também revisor e editor de textos do blog Creepypasta Brasil, onde faço parceria com os outros autores do blog.
Neste blog trataremos de questões comuns a vida cotidiana: música, comidas, bebidas, fé, questões teológicas, resenhas e considerações sobre livros, filmes, músicas e todo o mais que estiver dentro desta minha “cachola pensante”... Se você tem algum pensamento, posição, ideologia, questionamento ou dúvida, por favor não hesite em comentar!
No mais é isto, espero que acompanhem o Maravilhoso Mundo dos Bolinhos, Problemas e Mozart!